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12/01/2019 às 20h55

'Ossos' de couro: A morte em forma de Petisco

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'Ossos' de couro: A morte em forma de Petisco
Reprodução Internet
Você já deve ter ouvido falar que ossos de couro são super perigosos para cães. De acordo com a médica veterinária Karen Becker, o uso desse tipo de petisco recreativo realmente não é uma boa opção.

Para a médica, não há benefícios suficientes para oferecer ossos de couro ao cão. Isso porque, muitos tutores alegam o uso ao trabalho que esse produto oferece ao cachorro na mastigação.

Entretanto, Becker lembra que aos poucos os ossos de couro vão ganhando uma consistência mole. Assim, não ajudam a trabalhar a mastigação dos animais. Mas, além de não atribuir efeitos benéficos, ossos de couro podem ser prejudiciais à saúde.

Osso de couro é perigoso para cães

“Parece que nos últimos 100 anos, os fabricantes de alimentos humanos descobriram como comercializar quase todas as partes do corpo de animais que sobram para a indústria de tratamento de cães”, conta a veterinária Karen Becker em seu site.

Entre essas formas de comercialização estão os ossos de couro. Para a médica, esse é o tipo de mastigador mais antigo do mercado pet, mas que mesmo assim poucas são as pessoas que conhecem como esse produto funciona.

Em primeiro lugar, para Becker o próprio nome desse mastigador não condiz com a realidade. Chamado de osso de couro no Brasil, esse mesmo produto recebe o nome de “rawhide” nos Estados Unidos, o que significa couro cru.

“O nome couro cru é tecnicamente incorreto. Um nome mais preciso seria couro processado, porque a pele não é crua. Mas o termo ‘couro cru’ ficou”, contesta a veterinária.

Outro problema questionado pela médica é com relação a consistência do produto. Mesmo que seja comercializado com um aspecto mais duro, o osso de couro acaba ficando mole a medida que vai sendo consumido.

Portanto, é através dessas duas características que o cão pode sofrer com consequências desse produto. Então, é necessário entender um pouco mais sobre essas questões.

Problemas com a consistência do ossos de couro

Segundo a veterinária Karen Becker, os ossos de couro podem adquirir uma consistência mole após a mastigação do cão. Por isso, quando o cachorro engole, ele corre o risco de asfixia ou obstrução intestinal.

Além do mais, esse tipo de mastigador não favorece o trabalho das mandíbulas e nem fortalece os dentes dos cães. Isso porque,  a partir da interação do cão com o produto, esse último acaba se tornando mole. “[…] a mastigação assume a consistência de um pedaço viscoso de chiclete”, informa.

Problemas devido a composição dos ossos de couro
Como já mencionado, os ossos de couro não são peles cruas. Para produzi-los, é necessário uma série de processos que envolvem a adição de substâncias prejudiciais à saúde.

“Couros crus vêm em todas as formas e tamanhos, de torções minúsculas para ossos com nós gigantes. Eles também vêm todos naturais, branqueados (que é branco puro) ou banhados. Couros crus que são regados ou aromatizados foram tratados com corantes, colorantes e provavelmente conservantes“, explica a veterinária.

Ossinho palito faz mal?

Uma dúvida bastante comum entre os tutores é com relação ao ossinho palito. A questão é se esse produto faz mal ou não aos cães e se ele pode ser oferecido ao animal sem preocupações.

Para a médica, algumas opções podem ser até menos nocivas para a saúde do animal. Contudo, esses produtos industrializados e/ou artificiais precisam de um cuidado especial.

“Se você optar por oferecer couro cru para o seu cão, você deve supervisionar as sessões de mastigação”, recomenda a médica.

Como são feitos esses ossos de couro



Em uma publicação feita em seu perfil no Facebook, o especialista em nutrição de cães Rodney Habib expôs os processos pelos quais os ossos de couro passam nos Estados Unidos.

Para Rodney, criador do Planet Paws, o processamento dos ossos de couro é dividido em pelo menos quatro passos, são eles: fábrica de curtume, pós-curtume, pintura e durabilidade.

Primeiro passo: a fábrica de curtume

Segundo Rodney Habib, geralmente as peles de gado são enviadas de matadouros para os curtumes. Para suportar esse transporte, evitando a deterioração, o produto passa por um banho químico.

Após chegar na fábrica de curtumes, é o momento para “limpar” o produto. “Os couros são embebidos e tratados com uma solução de carbonato de sódio ou uma receita altamente tóxica de calagem de sódio. Este processo vai ajudar a tirar o cabelo e a gordura que talvez estejam ligados às próprias peles.”

Em seguida, a pele passa por um tratamento para ser dividida em camadas de forma mais fácil. Por fim, há a divisão dessas faixas de couro.

“A camada exterior da pele é usada para mercadorias como assentos de carro, roupas, sapatos, bolsas, etc. Mas é a camada interior que é necessária para fazer o couro cru. E outras coisas como gelatina, cosméticos e cola também”, explica o especialista.

Segundo passo: processo pós-curtume

O segundo passo desse procedimento é responsável pela eliminação do cheiro de couro podre ou pútrido. “As peles são lavadas e branqueadas utilizando uma solução de peróxido de hidrogênio e/ou lixívia”.

Terceiro passo: realizando a pintura

Para Habib, essa fase se resume em fazer com que o produto de couro pareça “delicioso”. Nesta etapa, os produtores adicionam corantes, frequentemente artificiais.

Quarto passo: garantindo a durabilidade

Por fim, a última fase diz respeito a durabilidade do produto de couro. Muitos químicos podem ser encontrados nas tiras de pele em bruto, como chumbo, mercúrio e arsênio.

Segundo o especialista, até alguns produtos usam avisos de cuidados com a utilização do osso de couro. Um exemplo deles é:

“Asfixia ou bloqueios. Se o seu cão engolir grandes pedaços de couro cru, o couro cru pode ficar preso no esófago ou noutras partes do aparelho digestivo. Às vezes, a cirurgia abdominal é necessária para removê-los do estômago ou intestinos. Se não estiver resolvido, um bloqueio pode levar à morte.”

Cachorro engoliu osso de couro: o que fazer?

O risco do cachorro engolir o osso de couro sem mastigar é grande. Consequentemente, o cachorro pode apresentar asfixia ou problemas gastrointestinais.

A melhor forma de lidar com isso é prevenindo o contato do cão com esses produtos. Mas, caso isso ocorra, o mais indicado é buscar ajuda veterinária de forma urgente.

Qual osso dar para o cachorro?

Diante de tudo, a veterinária Karen Becker não recomenda o uso de ossos de couro para o cão. Isso porque, ossos de couro são super perigosos para cães.

Porém, se o tutor deseja oferecer algum osso para o animal, a médica indica as opções naturais e cruas.

“Embora seja verdade que, para alguns cães nenhum osso é seguro, a maioria pode receber ossos crus, desde que o tutor do cão tenha conhecimento e cuidado”, explica Becker.

Para escolher a melhor opção de osso cru para o cão, a médica dá algumas dicas:

     - Escolher ossos crus em lugares confiáveis e higiênicos;
     - Optar por ossos grandes, que sejam maiores que a cabeça do cão. Assim, o animal não tem a chance de engolir;
     - Não cozinhar ou assar antes de oferecer ao cão. A versão crua é mais indicada, pois não fica frágil e fácil de quebrar.
     - Para completar as dicas, a médica recomenda cuidado na hora de ofertar ao cão. Por exemplo, se o animal já quebrou um dente roendo um osso, ele não deve       - passar pelo mesmo processo.

Além disso, se na casa houver mais de um cão, cada animal deve ganhar o seu osso. E, claro, devem comer em lugares separados, evitando assim brigas por posse.