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08/08/2018 às 12h35

Alianças do PT para eleições mostram bem o que é o estamento

Política
Alianças do PT para eleições mostram bem o que é o estamento
Reprodução Web

As alianças que o Partido dos Trabalhadores (PT) tem fechado nos estados da federação mostram bem o que é o estamento burocrático e a briga pelo poder. Os petistas, que tanto insistem na narrativa de que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi vítima de um golpe, se aliaram a siglas que são consideradas por eles mesmos “golpistas”. Afinal, orientaram voto pelo impeachment de Rousseff.


Como já declarou a própria Dilma Rousseff, para ganhar eleição, o PT faz aliança até com o diabo. Em pelo menos seis estados, há coligações com os que foram favoráveis ao impedimento da ex-presidente. E são vários os candidatos que eram oposição que terão apoio do PT.


Em Alagoas, o ex-ministro dos Transportes do governo de Michel Temer (MDB), Maurício Quintella Lessa (PR), é candidato ao Senado Federal com o apoio do deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), por exemplo. Mesmo Quintella já tendo declarado seu voto para presidente em Geraldo Alckmin (PSDB).


O próprio acordo com o PSB para isolar Ciro Gomes (PDT) incluiu negociações com os que o PT chama de “golpistas”. Mas, para Gleisi Hoffmann – presidente do PT – não há contradições nessas movimentações. A declaração foi dada ao jornal Estado de São Paulo. As alianças do PT lembram a velha máxima trotskista que coloca a moral como algo “elástico” e submetida aos interesses de chegar ao poder.


Nessas eleições, o PT terá seis candidatos ao governo: Rui Costa, na Bahia; Fernando Pimentel em Minas Gerais; Marcus Alexandre no Acre, Camilo Santana no Ceará, Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte; e Wellington Dias no Piauí. Em quase todas elas, no leque das alianças, incluem partidos que se mostravam oposição ao PT.


No Mato Grosso, em que o candidato não é um petista, mas Wellington Fagundes (PR) – que votou pelo impeachment – há também a aliança com o PT para disputar o governo.


Esse é o xadrez do estamento burocrático brasileiro. Convicções nos partidos políticos é artigo de luxo.