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10/02/2017 às 15h58

Estelionato: Delegado diz que cheque de vítima estava na casa de ex-vereador

Justiça
Estelionato: Delegado diz que cheque de vítima estava na casa de ex-vereador
O delegado Diogo Santana, que prestou depoimento (Midia News)

Estelionato: Delegado diz que cheque de vítima estava na casa de ex-vereador


O delegado Diogo Santana, da Polícia Civil, afirmou que encontrou um cheque de R$ 90 mil na casa do ex-vereador João Emanuel durante as buscas e apreensões da Operação Castelo de Areia.

 

Segundo Santana, o cheque foi emitido pelo empresário Edson Vieira dos Santos, da Criativa Construções, apontado como vítima do suposto esquema de estelionato que João Emanuel integrava.

 

A declaração foi dada durante depoimento à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, na audiência da ação penal derivada da operação.

"Na busca e apreensão na residência de João Emanuel encontramos um cheque no valor de R$ 90 mil em nome do Edson [Vieira dos Santos]", disse o delegado.

 

Em audiência ocorrida no início da semana, o empresário Edson Vieira confirmou ter sido vítima de um golpe orquestrado pelo ex-vereador e disse ter sofrido prejuízo de R$ 300 mil.

 

Edson Vieira afirmou que o político se apresentou como presidente da empresa Soy Group e propôs que ele investisse na construção de um suposto condomínio na Amazônia. Porém, após o investimento, o empresário descobriu que era tudo uma farsa e não conseguiu reaver o dinheiro.

 

Além de João Emanuel, são réus o irmão do ex-vereador, o advogado Lázaro Roberto Moreira Lima; o pai dos dois, o juiz aposentado Irênio Lima; os empresários Walter Dias Magalhães Júnior, sua mulher Shirlei Aparecida Matsouka Arrabal, e Marcelo de Melo Costa; o contador Evandro José Goulart; e o comerciante Mauro Chen Guo Quin.

 

Confira a audiência em tempo real:

 

Estrutura da organização (atualizado às 14h40)

 

O delegado afirmou que a empresa utilizada para os golpes - Soy Group - foi montada pelo empresário Walter Magalhães, no nome da esposa Shirley, após a empresa anterior ABC Share ter sido proibida de atuar no mercado financeiro.

 

Diogo Santana disse que algumas das vítimas contaram que Walter tinha participação direta nos crimes.

 

"Walter apontou Irênio [Lima] como diretor de operações e conselheiro da empresa. O núcleo duro da Soy seria o Walter, o João Emanuel, o Lázaro e o Irênio. Esses que tomariam a decisão da empresa". 

 

O empresário Marcelo Goulart, conforme o delegado, era um dos principais auxiliares de Walter Magalhães - considerado líder do esquema.

 

"O Marcelo, desde a época da ABC Share trabalha para o Walter na captação de vítimas".        

 

"Ganhar tempo" (atualizado às 14h50)

 

De acordo com o delegado, quando Walter era pressionado a fornecer o empréstimo ou o retorno do investimento, dava um cheque pré-datado para "ganhar tempo".

 

Diogo Santana afirmou que já foram descobertas mais vítimas do que as que constam na investigação, inclusive de São Paulo e de outros lugares do País.

 

"Tem muito mais vítimas que já nos procuraram".      

 

Durante a busca e apreensão ocorrida no ano passado, Diogo Santa afirmou que um cheque emitido por uma das vítimas foi encontrado na casa de João Emanuel.

 

"Na busca e apreensão na residência de João Emanuel encontramos um cheque no valor de R$ 90 mil em nome do Edson [Vieira dos Santos]".