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19/12/2016 às 19h24

Embaixador da Rússia na Turquia é morto em galeria de arte

Mundo
Embaixador da Rússia na Turquia é morto em galeria de arte

Turquia - O embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, foi baleado e morreu durante a abertura de uma exposição na capital do país, afirmou a agência notícias estatal, Anadolu. Redes de televisão turca mostraram a foto de Karlov estirado sobre o chão, com um homem segurando uma arma atrás dele.

Karlov chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu aos múltiplos disparos. O atirador, identificado como Mevlüt Mert Altintas, policial das forças especiais turcas de 22 anos, acabou abatido minutos depois — mas antes ameaçou os presentes com arma em punho e gritou palavras de ordem em favor da Síria e contra a Rússia. O ataque já foi condenado pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelas Nações Unidas.

Karlov, de 62 anos, exercia o cargo de embaixador da Rússia em Ancara desde julho de 2013. Antes, tinha comandado a delegação do país na Coreia do Norte, entre 2001 e 2006. O ataque ocorreu na véspera de uma reunião em Moscou entre os chanceleres e ministros da Defesa da Rússia, Turquia e Irã sobre o conflito na Síria.

Um vídeo mostra que o atirador mirou especificamente em Karlov após ouvi-lo falar, atuando aparentemente como segurança. De acordo com a rede BBC, ele gritou "Não esqueçam de Aleppo, não esqueçam da Síria" antes de usar a frase islâmica "Deus é grande". Já o "Independent" diz que ele gritou: "Nós morremos em Aleppo, você morre aqui".

"Até que nossas cidades estejam seguras, vocês não terão segurança. Só a morte pode me levar daqui. Todo mundo envolvido neste sofrimento pagará o preço", diz o atirador, em um vídeo que circula nas redes sociais.

A embaixada afirmou acreditar que este foi um ataque de radicais islâmicos. Segundo a "NTV", três outras pessoas ficaram feridas. Já a unidade da rede CNN na Turquia afirma que os tiroteios continuaram no mesmo edifício por mais um tempo, mas logo cessaram, segundo a imprensa local, quando a polícia invadiu a área e matou o terrorista. De acordo com jornais pró-governo, o assassino era um policial da força de choque da polícia de Ancara.

O presidente da Turquia, o islamita Recep Tayyip Erdogan, garantiu que o assassinato do embaixador russo é uma “provocação que tem como objetivo destruir a normalização” das relações entre ambos os países.

“Tanto a administração russa quanto a turca são conscientes disso e não vão permitir”, afirmou Erdogan. O presidente turco acrescentou que a Rússia e a Turquia criarão comissão conjunta de investigação para esclarecer o ataque e informou que mandou aumentar as medidas de segurança nas representações russas no país.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez coro. “O crime é, sem dúvida, uma provocação destinada a pôr fim à normalização das relações russo-turcas e atacar o processo de paz na Síria”, disse Putin ao se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Putin destacou que o processo é apoiado ativamente pela própria Rússia, além de Turquia, Irã e outros países interessados em encontrar uma solução para o conflito sírio. “A resposta ao assassinato do embaixador russo na Turquia será o reforço na luta contra o terrorismo. E os bandidos sentirão isso em suas próprias carnes”, afirmou Putin.

O presidente da Rússia afirmou que o ataque ao embaixador Andrey Karlov foi uma “atitude vil”. “Devemos descobrir quem está por trás do assassino”, disse Putin, acrescentando que irá reforçar as representações diplomáticas da Rússia na Turquia.

Reaproximação desde abate

Os dois países acertaram uma reaproximação diplomática em agosto, após meio ano de tensões provocadas pela derrubada de um avião de guerra russo por um caça turco na fronteira com a Síria.

Na última sexta-feira, Putin anunciou um acordo com Erdogan para convocar uma rodada de negociações para discutir uma solução política para o conflito na Síria em Astana, no Cazaquistão.

O ataque de ontem ocorreu na véspera de um encontro em Moscou entre os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da Rússia, Turquia e Irã sobre a guerra civil no território sírio.