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10/11/2018 às 11h04

'Super Drags' ridiculariza evangélicos ao mostrar 'cura gay'

Brasil
'Super Drags' ridiculariza evangélicos ao mostrar 'cura gay'
Profeta Sandoval Pedroso / Super Drags (Foto: Reprodução / Netflix)

O seriado Super Drags, que se propõe a mostrar a vida de três homens que se transformam em drags com superpoderes estreou nesta sexta-feira (9).


Trata-se da primeira animação brasileira disponível na Netflix e logo gerou polêmica. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) se manifestou formalmente contra o conteúdo, que considera “impróprio” para crianças.


Em nota, a entidade – que reúne cerca de 40 mil especialistas na saúde física, mental e emocional – afirma que é preciso fazer um alerta “para os riscos de se utilizar uma linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos próprios do mundo adulto” e chega a pedir que a série não fosse exibida.


Na semana passada, a Frente Parlamentar pela Defesa da Vida e da Família do Congresso Nacional divulgou uma nota de repúdio à Super Drags. Os deputados destacam que o desenho “retrata assuntos de cunho moral de forma obscena e não educativa”.


O vice-presidente da Frente, deputado federal Alan Rick (PRB/AC), que também é pastor, pediu que “pais e mães fiquem atentos ao conteúdo que seus filhos estão acessando na TV, internet, celular e outras mídias”. Destacou ainda que o desenho faria parte das “tentativas sórdidas de influenciar sexualmente nossas crianças”.


O confronto das Super Drags com pastores é real também na telinha. Um dos vilões é o “profeta” Sandoval Pedroso, um líder pentecostal que comanda o campo de concentração “Gozo do céu” que oferece “cura gay”.


O terceiro episódio da primeira temporada, que tem como título justamente “A Cura Gay” mostra as drags tentando resgatar homossexuais que estariam presos, sendo forçados a mudar de comportamento. No final, todos os “obreiros” do profeta Sandoval é que se tornam homossexuais.



Camping de Concentração – Gozo dos Céus. (Foto: Reprodução / Netflix)


Esse tipo de retórica apenas ecoa muito da agenda em prol dos LGBT que já é comum no Brasil, tendo sido incorporado por deputados federais, parte da imprensa e pelo Conselho Brasileiro de Psiquiatria que usa “cura gay” como um termo pejorativo para as terapias de reversão sexual.


A fluidez da sexualidade, segundo eles, só vale quando é de hétero para homo, nunca ao contrário.