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03/06/2021 às 09h21

‘Tóxica’, diz Conselho Federal de Medicina sobre CPI da Pandemia

Brasil
‘Tóxica’, diz Conselho Federal de Medicina sobre CPI da Pandemia

Órgão pede respeito aos profissionais da área que prestam depoimentos no Senado.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu uma nota de repúdio, nesta quarta-feira (2), sobre os “excessos e abusos” ocorridos nos interrogatórios aos depoentes da CPI da Pandemia.


O órgão pediu respeito dos senadores às testemunhas, principalmente aos médicos que estiveram na Comissão. 


Em mensagem no Twitter, o presidente da República, Jair Bolsonaro, divulgou um vídeo do doutor Mauro Ribeiro, presidente da CFM.


Ribeiro classificou a CPI da Pandemia como “tóxica e vergonhosa”.


Na última terça-feira (1º), os parlamentares ouviram a médica Nise Yamaguchi, que foi bastante atacada pelos membros da Comissão. 


Abaixo você pode conferir a íntegra da nota de repúdio divulgada pelo CFM:


“O Conselho Federal de Medicina (CFM), em nome dos mais de 530 mil médicos brasileiros, vem publicamente manifestar sua indignação quanto a manifestações que revelam ausência de civilidade e respeito no trato de senadores com relação a depoentes e convidados médicos no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.


Os médicos brasileiros têm se desdobrado na Linha de Frente contra a covid-19. Graças a eles e às equipes de saúde, milhões de pessoas conseguiram recuperar sua saúde e hoje estão em casa, com suas famílias e amigos. Essa atuação tem ocorrido com dedicação, empenho e, muitas vezes, sem condições de trabalho. Por isso, merece ser reconhecida de forma individual e coletiva.


São esses mesmos médicos, que estão na Linha de Frente, que buscaram o CFM para manifestar sua insatisfação com a postura de membros da CPI nas oitivas em que profissionais da medicina participam como convidados ou testemunhas. É com eles que o CFM se solidariza nessas críticas.


A classe lamenta que esses médicos chamados a depor estejam sendo submetidos a situações de constrangimento e humilhação. Ao comparecer na CPI da Pandemia, qualquer depoente ou testemunha tem garantidos seus direitos constitucionais, não sendo admissíveis ataques à sua honra e dignidade, por meio de afirmações vexatórias.


No entendimento do CFM, e da classe médica, o que tem sido exibido em rede nacional configura situação inaceitável e incoerente com o clima esperado em um ambiente onde as discussões devem se pautar pela transparência e idoneidade. Em lugar disso, testemunha-se situações que desmoralizam os médicos e as médicas.


Reitere-se que os comentários dessa nota se referem aos médicos e médicas depoentes enquanto indivíduos, não significando apoio aos seus posicionamentos técnicos, éticos, políticos, partidários e ideológicos. Na CPI, eles responderão por suas ações e omissões, as quais, se forem consideradas indevidas, serão alvo de providências por parte do Ministério Público e de outros órgãos competentes.


Assim, o CFM e os 530 mil médicos repudiam veementemente os excessos e abusos no trato de parlamentares em relação aos depoentes e convidados, em especial médicos e médicas, e clama ao Senado Federal que os trabalhos sejam conduzidos com sobriedade para que o País tenha acesso às informações, dados e percepções que permitirão à CPI concluir seus trabalhos de modo efetivo.


Neste sentido, encaminha esse documento ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, para que, ciente destes fatos, tome as providências que considerar necessárias.”