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10/03/2019 às 08h32

Abortada por ser mulher: seleção de sexo por aborto é tema ignorado por feministas

Mundo
Abortada por ser mulher: seleção de sexo por aborto é tema ignorado por feministas
Reprodução Internet

Segundo relatório feito por analistas do Escritório Estatístico da Austrália, revela que no país, em torno de 1.400 meninas foram mortas por meio de abortos motivados pela seleção do sexo da prole. O relatório indica que na maioria são Chineses e Indianos residentes no país. Embora mais frequente entre chineses e indianos, o fenômeno é cada vez mais frequente em países ocidentais.


Para uma organização feminista WVM, da Armênia, a seleção de sexo por aborto é uma das formas de “feminicídio”. A seleção de sexo por aborto atinge invariavelmente o sexo feminino e tem sido frequente os debates sobre o problema em países ocidentais, apesar de ocorrer com mais frequência na China e Índia. Como resposta a isso, nos EUA e no Reino Unido foram aprovadas leis para restringir a prática, embora os mecanismos para identificar a ocorrência e aplicar punições sejam extremamente difíceis.


Os casais optam por abortar após terem feito um ultrassom e descoberto que estão esperando uma menina.  Querem abortar para não ter uma filha mulher, podendo tentar conceber um menino no futuro. Contudo, não é fácil afirmar que um casal que busca por um aborto e o nascituro seja do sexo feminino esteja abortando por esse motivo. Como o aborto é liberado sem que seja necessário dar justificativas, não há como saber com certeza se o aborto foi motivado pelo desejo de não ter uma menina ou se é fruto de outro desejo ou motivação.


A trágica ironia é que os países que colocaram a vontade e o poder de decidir sobre por fim à vida de qualquer nascituro acima do direito desse ser humano de continuar vivendo, se vê nessa situação, de ter que perscrutar os desejos das pessoas para ver se eles são fruto do egoísmo, o que seria permitido, ou se são frutos do machismo, o que então seria proibido.


Grupos feministas têm buscado ignorar essa realidade visando não prejudicar a luta pela legalização do aborto no mundo, contudo, um grupo feminista da Armênia considera a seleção de sexo por aborto uma forma de “feminicídio”. O relatório do grupo feminista caracteriza a seleção de sexo por aborto como um dos tipos de feminicídio, ao lado de situações como mortes de mulheres em conflitos armados e agressão seguido de morte perpetrado pelo companheiro (o que chamamos de crime passional em uma linguagem livre de ideologias).


Se por um lado, os assassinatos de mulheres em conflitos armados ou perpetrados pelo seu parceiro podem ser facilmente atribuídos a motivações que nada tem a ver com machismo, o crime do aborto para seleção de sexo pode ser visto como o único assassinato em que a palavra feminicídio não traduz meramente um termo ideológico, usado arbitrariamente em favor da agenda feminista, que prega a legalização do aborto.