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17/07/2018 às 14h46

Duplo padrão moral da esquerda e a perseguição contra o Deputado Michael Fabricant

Mundo
Duplo padrão moral da esquerda e a perseguição contra o Deputado Michael Fabricant
Foto reprodução Web

O deputado conservador do Parlamento inglês Michael Fabricant ganhou as manchetes hoje no Reino Unido após ser acusado de publicar um tweet islamofóbico sobre o prefeito de Londres, Sadiq Khan.


Fabricant postou uma montagem mostrando um porco inflável com o rosto de Khan em posição sexual com outro porco. Logo que surgiram as críticas, ele apagou o post rapidamente e fez um pedido de desculpas.


A imagem seria uma crítica a Khan, um muçulmano, que emitiu a permissão para que manifestantes colocassem um balão com o desenho de um “bebê Trump de fraldas”, voando sobre Londres durante a visita do presidente dos EUA.


O canal público Channel 4 News procurou o deputado para falar sobre o assunto na quarta (11). Ele respondeu à emissora: “Não sou contra o balão. O que sou contra é a hipocrisia disso tudo: as pessoas ficam realmente tensas sobre Donald Trump, mas não parecem se importar com o presidente Xi da China, que mantém dezenas de milhares de pessoas em campos de trabalho político”.


No enquadramento da emissora, durante a entrevista, o parlamentar estava em seu gabinete, tendo ao fundo uma bandeira antiga da África do Sul. A bandeira não é totalmente visível nas imagens divulgadas pelo Channel 4 News, mas a semelhança é óbvia.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_da_África_do_Sul#/media/File:Flag_of_South_Africa_(1928–1994).svg


O desenho é formado por três faixas (laranja, branco e azul) tendo ao centro a bandeira do Reino Unido e os emblemas da República da África do Sul e do Estado Livre de Orange.


A África do Sul usou esta bandeira entre 1928 e 1994, período em que o país mantinha a política do apartheid, que forçava brancos e negros a viverem completamente separados. Em 1994 ela foi substituída pela atual bandeira multicolorida que representa o país até hoje.


No início deste ano, a Fundação Nelson Mandela pediu que a bandeira antiga fosse banida da exibição pública depois de se tornar uma característica de manifestações de fazendeiros brancos no país.


A fundação disse: “Essas exibições comprovadamente compõem a dor experimentada por milhões de negros sul-africanos que sofreram sob o apartheid e continuam a lutar sob seu legado”.


O site de “fact check” do Channel 4 News tuitou uma pergunta sobre a bandeira na sexta-feira (13), que acabou sendo retuitada mais de 1.500 vezes.




A resposta do deputado é que ele tinha algumas bandeiras de lugares onde esteve a trabalho nos anos 1980, incluindo uma antiga da União Soviética. “Mas eu não sou comunista nem apoiador do apartheid”, escreveu.


Durante muitos anos Fabricant trabalhou para a estatal South African Broadcasting Corporation.


O que seria uma pergunta de rede social do “fact check” do Channel 4 News gerou o interesse do site Business Insider.


 http://www.businessinsider.com/conservative-mp-in-islamophobia-row-pictured-with-apartheid-era-south-africa-flag-in-his-office-2018-7


Eles o questionaram, entre outras coisas, se ele não se arrependia de ter trabalhado para o que era um braço do estado do apartheid na África do Sul. A resposta do parlamentar foi: “Há tantas coisas das quais todos podemos nos arrepender em retrospectiva… Mas, na verdade, não fiz negócios na África do Sul. Eu não gostava do que estava acontecendo”.


Apesar de suas explicações, Lubricant está sendo chamado de “racista” e “apoiador do apartheid”, com a imagem da bandeira em seu escritório repercutindo inclusive na África do Sul.


O que seria uma entrevista sobre um tuíte polêmico acabou se transformando em um questionamento de um site de que deveria “checar fatos”.


Aparentemente, isso seria desnecessário, uma vez que o deputado admitiu ter feito a publicação. Mas a agência do canal público acabou sendo usada contra um deputado aliado da primeira-ministra para reforçar as acusações de racismo após um tuite infeliz.


https://www.thesouthafrican.com/michael-fabricant-apartheid-flag-display/


Curiosamente, a ideia de um balão com o rosto de Sadiq Khan no corpo de um porco foi “aprovada” por ele mesmo. Dois dias antes da chegada do presidente Donald Trump, ao ser entrevistado pelo jornalista Piers Morgan do programa “Good Morning Britain”, o prefeito foi questionado por que havia permitido o balão do “bebê Trump” sobrevoar a cidade. Em meio ao seu argumento, lembrou que havia sido feita uma petição com milhares de assinaturas.


Quando Morgan questionou se o prefeito aprovaria um balão com seu rosto em um porco e milhares de pessoas fizessem uma petição, Khan disse que sim, pois defendia a democracia e isso seria uma manifestação democrática, como foi o balão de Trump.


Fonte:

https://www.channel4.com/news/factcheck/factcheck-michael-fabricants-apartheid-flag

 https://www.youtube.com/watch?v=yBhN3LxQi5k