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02/01/2017 às 15h31

Lei pode ameaçar florestas, rios e cachoeiras típicos do Paraná

Brasil
Lei pode ameaçar florestas, rios e cachoeiras típicos do Paraná
Cânion do Guartelá, no Paraná. Ele faz parte da Escarpa Devoniana (Foto: Divulgação – Observatório de Justiça e Conservação)

A Assembleia Legislativa do Paraná vai apreciar um projeto que reduz para um terço a área de proteção ambiental da Escarpa Devoniana, com 260 quilômetros de extensão


O estado do Paraná é cortado praticamente em toda a sua extensão por um gigantesco degrau. É uma formação geológica única. Uma escarpa de 260 quilômetros que separa o Primeiro e o Segundo Planaltos do Paraná. Com desfiladeiros, cânions de rios caudalosos e acidentados, cachoeiras e penhascos, a escarpa criou vários lugares de beleza ímpar, muitos deles transformados em atrações turísticas. Ela passa por 12 municípios do estado e engloba importantes sítios naturais, como o Buraco do Padre e o Cânion do Guartelá. Essa formação também tem valor ecológico por estar associada aos campos naturais e às florestas com araucárias, os dois biomas mais ameaçados do país. Agora, essa formação geológica e o ecossistema em torno dela correm perigo. No dia 13 de dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná aprovou um parecer técnico sobre o Projeto de Lei nº 527/2016, que reduz para menos de um terço o perímetro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana. Para o geólogo Gilson Burigo Guimarães, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, essa lei seria um retrocesso para a conservação. "O projeto desfigura e inviabiliza a existência de uma unidade de conservação de uso sustentável", diz em entrevista a ÉPOCA.